terça-feira, 17 de abril de 2012

O Brasil e a inclusão de crianças deficientes...

... que não existe.
Ontem fui a uma festa de aniversário de uma pessoa que mal conhecia, coisas que a gente faz pelo filho, chegando lá meu filho se divertiu horrores com a aniversariante, menina linda, com luz própria como se diz, o irmãozinho dela não falava, e aos 4 anos isso já era sinal de assombro para a maioria dos amigos, fui logo conversando com ela (Claro neh? Meu filho vai a FONO) e depois de muita conversa ela falou uma coisa que eu não tinha me tocado até hoje: “No Brasil, qualquer criança com dificuldade, seja ela psicomotora, de fala ou qualquer outra , é colocado um rótulo “DIFERENTE” e colocada num pacote, todas juntas” Aquilo caiu como uma luva pra o que eu sentia. Mais conversa vai e vem e ela falando como as pessoas mesmo as próximas perguntam se o garotinho (que a essa altura eu já havia conhecido) era deficiente mental  por que simplesmente não falava... é cruel. Vi um menino muito inteligente, que prematuro precisou de acompanhamento e está se desenvolvendo muito bem, graças a atenção e carinho da mãe e da família.
Depois da conversa com essa mãe ficamos curtindo a festa ao que chega um menininho com paralisia cerebral. A mãe dele como vim a saber morou muito tempo lá fora, mas o teve aqui. Conversando com ela, pude perceber como este rótulo “diferente” “deficiente” pesa para estas mães e pais. O filho não ia a escola ainda, e mesmo crianças com deficiencia (seja ela qual for) devem ir a escola.
Conversando com ela perguntei se ela já havia ido a escola de meu filho e ela falou que como está a pouco tempo na Bahia não havia tido nem tempo ainda de pesquisar, mas como teve dificuldade em outras escolas, nem se animou muito. Mostrei para ela meu filho e a maneira como ele reagia ao filho dela (Nessa hora o animador já estava fazendo brincadeiras e os dois estavam lá brincando) Meu filho olhava para o garotinho como se fosse uma coisa normal, o tocava normalmente e se precisasse interagir com ele interagia normalmente. As outras crianças não judiaram do garotinho, mas o olhavam a todo momento, aquele ser “diferente”...
Conversando mais com ela percebi o quanto no Brasil é necessária mais que uma política, uma mudança na sociedade como um todo. Se a criança “ normal” tem qualquer dificuldade recebe o rótulo “diferente” e vc recebe o rótulo “incompetente”. Se seu filho tem alguma deficiência você recebe o rótulo “coitadinha” e seu filho recebe o rótulo “diferente”. A inclusão social não é citada na novela das 7, nem das 9 salvo casos pontuais. As famílias nessas novelas, são sempre bonitinhas e com seu finalzinho feliz, é isso que vendem, é isso que cada um espera que sua família se torne. Um comercial de margarina.
A vida não é só isso! A vida é um eterno aprendizado. Crianças com paralisia cerebral aprendem muito bem, quando estimuladas. Mas enquanto for colocada nestas e em outras crianças o rótulo de “diferente” eles sempre vão estar a margem da sociedade, nunca vão ter o lugar que merecem. Conversando com pessoas que moram, ou moraram lá fora pude perceber o quanto de inclusão verdadeira precisamos, lá existem pessoas com paralisia cerebral que são professores em universidades, cientistas e pesquisadores. Aqui no Brasil a perspectiva para estas crianças é terrível. Muitas escolas que se dizem inclusivas nem olham para estas crianças, aceitam no máximo crianças com síndrome de down. Isso não é inclusão. Inclusão é aceitar toda e qualquer criança com deficiência, seja ela motora ou psicomotora, ou psicológica.
Na escola do meu filho sei de 1 caso de paralisia cerebral e 2 casos de crianças autistas. E o mais importante nesses casos de inclusão não são as crianças com deficiência, sério! São as crianças “normais” Elas são as que mais se beneficiam nestes casos. Mas o que o seu filho vai aprender com aquele menino que mal se meche e baba? Vai aprender que o diferente faz parte da vida, que ela também tem suas difucldades e assim como aquele menino vai conseguir superar algumas e outras não, mas que tudo bem! E tudo bem  ela ser diferente, por que aquele garotinho também é, e eu conheço ele, conheço o cheiro dele, quando chega na escola depois do beijo da mãe, conheço a maneira como ele me olha, conheço o jeito que ele tem de dizer o que quer, conheço ojeito que ele sorri quando gosta de uma coisa... A diferença se torna semelhança. Ele gosta de azul do mesmo jeito que eu, ele gosta da minha presença, ele estuda na mesma escola que eu, ele aprendeu a ler e eu também...
É necessária uma mudança drástica na nossa sociedade. Encarar o problema de frente, deficiências existem, difculdades também, colocar rótulos nestas crianças e nestas mães é cruel e assumir que eles sempre vão ser isso, diferentes. Mas a diferença faz parte da vida, se se vc olhar bem de perto vai ver que diferentes são os outros porque afinal difculdades todos temos, alguns no andar, outros no falar, outros não conseguem falar em público, outros ainda não conseguem andar de bicileta sem rodinhas até todos os outros garotos terem conseguido. Mas estes desafios fazem parte da vida.
A criança aprende pelo exemplo, e este é o exemplo que estamos passando como sociedade, “coloquem o diferente ali do lado, que não quero lidar com isso agora”.
Um livro muito lindo que recomendo a todos sobre o assunto : http://porqueheloisa.blogspot.com.br/

segunda-feira, 26 de março de 2012

Discriminação racial

Este final de semana estávamos assistindo eu o pai a um filme chamado Duelo de Titãns, o filme trata da discriminação racial nos EUA na década de 70, e meu filho acabou assistindo a um pedaço do filme, e simplesmente não entendeu, para ele aquilo era tão estranho quanto dizer que eu sou melhor que você por que meu cabelo é comprido e o seu é curto :) 
E eu me senti bem. Por que posso estar fazendo um monte de burrada, mas dessa vez eu acertei !!!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mudanças - Feliz dia da Mulher!

A mulher muda constantemente, seu corpo muda todo mês, e ela se permite mudar completamente ao aceitar que uma nova vida cresca dentro de si, ela muda novamente quando o filho nasce e mais uma vez enquanto o filho cresce , ela vai se adaptando a um novo estilo, deixa de ser filha, passa a ser esposa, mãe, mas também mulher.
Tudo muda nas nossas vidas e sempre mudou. Aos homens sempre coube um papel mais estático,mas  as mulheres tiveram que ir a luta para votar, para trabalhar, para vestir saias curtas e até mesmo para retornar as suas casas e ser apenas mães se esta for sua vontade.
As grandes mulheres do nosso tempo nos servem de guia, Madre Teresa de Calcutá,  Maria Montessori, Ana Néri, Maria da Penha, Marina da Silva e sem esquecer de nossa querida Irmã Dulce, entre tantas outras exemplos de garra, de mulheres que mudaram um pouco desse mundo sem derramar uma gota de sangue, e nem por isso fizeram uma guerra mais suave. Elas provaram que é possível mudar o mundo sim, um pouquinho de cada vez, afinal, a mudança faz parte da mulher.
Minha homenagem neste dia também a todas aquelas Marias, aquelas que acordam cedo, levantam e vão trabalhar, que criam seus filhos com dificuldade, por que tem fé, fé que um dia a mudança que as outras Marias fizeram cheguem aos seus filhos. Que a educação traga um lugar melhor para essas Marias, que o Brasil, esse nosso país tão lindo criado por Deus, possa ser um dia também um lugar lindo para todas as Marias, mães, mulheres e filhas viverem!!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Diferenças...

Quando a gente pensa em uma criança qual a primeira imagem que vem a mente? de um menino ou menina rindo espalhafatosamente certo? Todos nós temos uma idéia de como uma criança se comporta, que toda criança gosta de tal coisa ou toda criança brinca de tal coisa. Por exemplo, menino gosta de carrinho e menina gosta de boneca...
Pois é... 
Meu filho é diferente, não por que ele é especial ou nada disso, na verdade acho que diferente não é nem a palavra, ele na verdade é igual a tantas outras crianças da idade dele que são mais tímidas que as outras , isso, acho que talvez tímido seja melhor...
Essa semana fomos numa psicologa para conversar sobre meu filho, algumas atitudes que andamos observando e o que podemos mudar em casa para que ele se sinta melhor e mais confiante.
E ela me falou algo que eu não esperava, mas que se encaixou perfeitamente nele; "meu filho é tímido" e para crianças desse tipo não importa o que o mundo diga, importam apenas os seus padrões internos, o que é normal para ele o que é aceitável para ele. Isso explica muito bem por que ele não gosta de vestir fantasias fora do carnaval, não é por que não goste de fantasia, é por que fantasia se veste no carnaval! 
Isso explica também por que ele não se interessa por bonecos de ação (quando todos os meninos da sua idade estão brincando com eles) Ele não se importa com o que todo mundo pensa, crianças tímidas se ligam nos SEUS padrões, não nos do mundo! 
Realmente ele anda na contramão, por isso sinto ele tão diferente das outras crianças, nas atitudes, e as vezes (muitas) nos interesses. Ele simplesmente não liga para o que os outros estão dizendo...
Além disso ele não gosta de ser o centro das atenções, então nada de apresentações, sem exposições em público, mas ele gosta de ser lembrado, de ser elogiado como toda criança, mas essa atenção não deve ser direcionada pra ele  e sim ao trabalho executado, aí ele vai adorar .
Quando a psicologa me mostrou essas informações eu percebi como elas se encaixavam perfeitamente nele, e como eu estava certa ao observar o que ele queria e não o que os outros achavam legal.
Depois dessa aprendi uma coisa muito importante: MEU FILHO NÃO É UMA PROJEÇÃO DO QUE EU ACHO!
Posso me identificar com ele, mas tenho que aceitar que por mais que ele seja tímido ou expansivo ou qualquer coisa, ele vai ver as coisas de um jeito diferente de mim, e eu posso me identificar com ele, mas ele é diferente do "padrão" que eu tenho de uma criança. Tenho que aceitar que ele é assim e pronto , acho que ja tinha aceitado, mas estava procurando uma explicação, como se fosse errado, errada estava eu de procurar pêlo em ovo (risos)
Mas foi bom ouvir uma psicologa me explicando algumas coisas  sobre meu filho, como o fato dele querer agradar a todos (pelo simples fato dele não querer ver o ambiente dele mudando ) então vão haver horas que eu vou ter de brigar por ele, não no sentido literal ta? Mas vou ter de interferir para que ele se sinta mais confiante e que saiba que estamos nessa juntos.
Para a criança tímida o ambiente é ameaçador, qualquer mudança pode ser traumática (parece terrível neh?, mas tb não é assim)
Se seu filho é tímido como o meu, escute o que ele diz, mas acima de tudo escute o qu ele não diz, veja sua linguagem corporal, admire seus desenhos, elogie seus trabalhos e aceite que nem toda criança vai gostar de ser fotografada, ou de ir de fantasia ao shopping, ou de ser adimirada...

Links que eu gostei:
http://crescendoeacontecendo.blogspot.com/2011/04/crianca-timida.html
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/artigo-nove-regras-crianca-timida.htm
http://veja.abril.com.br/280307/p_096.shtml
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI2222-15069,00.html

Lembrando que:
 Timidez é um traço da personalidade de seu filho, e não tem nada que vc vá fazer que vai mudar isso. Você pode sim , fazer ele se sentir mais tranquilo com ele mesmo, tentar mudar seu filho é burrice!
A maioria dos textos que eu li coloca a culpa da timidez da criança nos pais (inclusive alguns desses aí) Isso não existe! Seu filho é o que é, tímido ou expansivo, não é culpa sua! O que você pode, e deve fazer é conversar com um psicólogo se seu filho se demonstrar incomodado com o próprio modo de ser, ou se por algum motivo isso estiver atrapalhando o seu dia a dia...
Na dúvida, converse com o cordenador da escola de coração aberto, ou com a professora dele, note como ele se sente na presença de outras crianças e adultos diferentes das que ele está acostumado ( com os parentes meu filhote é um tagarela...com outros pais nem tanto...)
Observe seu filho. Cada pedacinho dele, note como ele se sente quando você o elogia, e veja sim o que vc pode mudar para ele se sentir melhor, mas tímido ele SEMPRE vai ser...

terça-feira, 6 de março de 2012

Filhos são do mundo

-Depois de voltar às aulas, as reuniões de pais e mestres voltam a acontecer, o que me deixa suuper feliz, por sempre sair de lá entendendo mais um pouco sobre a educação de minha pequena, e sempre com um ótimo texto em mãos! Olhem só que texto forte, seco, porém lindo e verdadeiro!-

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Por José Saramago.

"Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos. Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.


Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.


E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!


Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles.


É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!


"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver "."
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